Desde a década de 1970, o povo Xikrin e seus parentes enfrentam grandes obras no Médio Xingu, como a Rodovia Transamazônica (BR-230) e o Projeto Kararaô, que se transformou na Usina Hidrelétrica Belo Monte. A própria Associação nasceu, em 2018, para defender o povo Xikrin diante dos impactos desses empreendimentos.
Os Xikrin dizem que “o rio Xingu segura o rio Bacajá”: quando o Xingu enche, o Bacajá fica cheio; quando seca, o Bacajá baixa junto. No trecho de vazão reduzida do Xingu, as cheias caíram de 80 para 9 dias por ano, e as secas extremas passaram de 45 para 104 dias (Revista Pesquisa FAPESP).
Por esses impactos, as comunidades são atendidas por compensações e mitigações do Plano Básico Ambiental (PBA) de Belo Monte, de responsabilidade da Norte Energia, nas áreas de cultura, gestão territorial, associativismo, educação, saúde e atividades produtivas. A Berê acumula sete anos de atuação nesse campo e busca estar à frente das decisões: as ações que exigem conhecimento tradicional são feitas em parceria com a executora do PBA-CI (Componente Indígena), com a Associação como coexecutora e proponente.